Entrevista com Vasti Barbosa, coordenadora do Projeto Samuel da Mustardinha

Amar, cuidar, expressar carinho por seres que não fazem parte da sua vida pessoal -e que acabam se tornando um pedacinho do ser- não é tarefa fácil, nem é todo mundo que tem esse dom, se assim pode ser considerado. Vasti Barbosa trabalha há nove anos no Projeto Samuel, por seis foi Monitora de Correspondência e há três anos é Coordenadora do Centro Vida no Bairro da Mustardinha, no Recife.

Vasti junto com as crianças do Projeto Samuel da Mustadinha.
Vasti junto com as crianças do Projeto Samuel da Mustadinha.

O Projeto Samuel pertence à Fundação Aio de Assistência e Educação Social, na sua base existe um propósito maior que é o da obra social, visando alcançar bairros periféricos da RMR que vivem em situação de violência social, física e psíquica.

A Equipe que coordena os Centros Vida, da qual Vasti faz parte, são pessoas que podem se enquadrar dentro da definição da palavra que origina a Fundação (Aio é uma palavra de origem grega que quer dizer, “uma pessoa que conduz uma criança”. Os aios foram servos responsáveis pela proteção dos filhos de seus senhores levando-os para a escola e corrigindo-os, por exemplo. Eles serviam na educação das crianças.

Assim, Vasti conversou com a equipe de reportagem sobre sua experiência e dedicação no Projeto.

Thamires Campos– O que mais te motiva a trabalhar nessa área social e exercendo essa função?

Vasti Barbosa– O que me motiva trabalhar nesta área é poder contribuir para o crescimento físico, social, emocional,cognitivo e espiritual das crianças e dos adolescentes. Um trabalho difícil de realizar, mas nunca impossível, a maior retribuição é ver a alegria, satisfação, agradecimento e o sorriso no olhar de cada criança e seus familiares atendidos em nosso Projeto. É certo que não temos como alcançar o mundo inteiro com nossas ações, mas compreendo que é possível fazer a diferença para essas vidas alcançadas, e isto vale muito a pena.

TC– Como funciona o acesso das crianças que querem entrar no Projeto? quais os critérios?

VB– Para a criança ter acesso ao projeto, os pais devem comparecer em alguma das sedes no período de inscrição, munidos com  cópias do cartão de vacina atualizado, certidão de nascimento, declaração de saúde e declaração escolar, isso se a criança  já estiver com a idade de frequentar a escola. No ato da inscrição a criança é fotografada e recebe seu nº de matrícula, em seguida, fazemos uma visita em sua casa para comprovar a situação financeira da mesma.
Um critério primordial é a criança estar frequentando a escola, a família ser de baixa renda, morar próximo ao projeto, para não depender de transporte e ter entre 03 a 09 anos. Pois 09 anos é idade máxima para entrar, após ingressar, a criança poderá ficar até os 18 anos.

TC – Quais as principais mudanças recorrentes,  levando em consideração o antes e o depois da criança que frequenta o projeto?

VB – A mudança sempre ocorre, porém é um processo lento, porque a criança vem de uma realidade de vida com vulnerabilidade social, levando em conta que muitas vivem sem limites. Uma das mudanças que observamos é o controle de violência, pois muitas chegam ao projeto violentas, brigando com os colegas por qualquer motivo, e com as atividades desenvolvidas, conversas  e conselhos, elas conseguem ter um certo controle. Vemos também muitas mudanças nas crianças que se dedicam a estudar música no Projeto. Temos  crianças que antes eram super agitadas e depois que começaram na música, houve uma mudança radical. Uma satisfação também é ouvir uma criança falar  do que pretende ser no futuro. A exemplo disso, tem uma de  nossas crianças que falava querer estudar psicologia, hoje, já maior de idade, cursa Psicologia e já faz estágio no próprio Projeto. Essa mesma criança, quando bebê foi abandonada pelos pais.

TC– Cada projeto tem um responsável ou tem um supervisionamento geral?

VB– Cada Projeto Samuel tem um responsável (coordenador) que responde por ele à Supervisora Geral.

TC– A maioria das crianças não tem um lar estruturado e cada vez mais vem perdendo as referências dos adultos que as cercam, de que maneira o Projeto intervêm na vida delas?

VB– Sim, a maioria delas vem de uma família sem estrutura, muitas envolvidas com drogas, com pais separados, pais presos e muito mais. Temos casos de adolescentes que se envolveram com drogas, mas o projeto junto com as assistentes sociais, como primeiro passo, ganham a confiança  deste garoto, para ter uma conversa aberta, em seguida, chama a família para orientar como deverá proceder dali por diante, junto ao trabalho de psicologia.

TC – Em relação à gravidez precoce, contato com drogas, bebidas, como a liderança do projeto trata/lida com isso?

VB– Nestes casos a criança é atendida pelo serviço de psicologia que desenvolve atividades diferenciadas  na Sede de Psicologia.

TC – Existe o apadrinhamento das crianças, como isso funciona?

VB – Sim. A criança ao ser inscrita, escreve uma carta que é chamada de carta de apresentação, essa carta é enviada para o escritório da Compassion em São Paulo, lá é traduzida  e  enviada par Colorado, onde é feito o sistema de apadrinhamento. “Compassion é um ONG Internacional que trabalha para conseguir os padrinhos”. A pessoa ao assumir o compromisso em apadrinhar uma criança, contribui com uma quantia mensalmente para manter a criança no projeto, também escreve cartas para seu afilhado, são duas cartas semestrais, e quando ele envia um presente para a criança, ela mesma escreve agradecendo.

TC – Já que o Projeto é sem fins lucrativos, quem financia os custos de tudo que funciona dentro dele?

VB – A Igreja, a Compassion e os Mantenedores com sua doações.

TC – Quem tem interesse em ajudar, como pode fazer?

VB– Pode ligar para o telefone 30841530, onde receberão as instruções.

Entenda como se tornar um parceiro do Projeto Samuel.
Entenda como se tornar um parceiro do Projeto Samuel.

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