O universo Drag a.R/d.R; antes e depois de RuPaul

RuPaul Charles
RuPaul Charles desmontado de drag queen (reprodução)

Quem não conhece bem o universo drag provavelmente desconhece a figura de RuPaul Andre Charles ou apenas RuPaul, que também usa este como seu nome de drag queen. Ru mudou completamente o alcance da cultura drag – que antes era bem limitado apenas ao segmento – e toda a concepção do “ser drag” a partir da criação do seu reality show “RuPaul’s Drag Race.

Os críticos do reality explicam-no como, basicamente, uma imitação do “America’s Next Top Model”; em que modelos competem ao título da “a próxima top model americana”.  No caso da “corrida drag”, o título é ser “a próxima super estrela drag queen”. RuPaul Charles é o idealizador e produtor do programa; quando drag, o apresenta.

Contando atualmente com sete temporadas (a 7ª ainda não acabou) e a oitava prevista também para ser gravada neste ano, o programa é exibido originalmente na americana Logo TV e, no Brasil, na VH1 Brasil como “RuPaul e a Corrida das Loucas” ou ainda na internet pelo Netflix.

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RuPaul na sétima temporada – que ainda não acabou (reprodução/ vídeo “RuPaul’s Drag Race”)

RuPaul surgiu como uma opção diferenciada em uma mercado já escasso e nada habitual. Ru elevou o padrão drag fazendo de tudo: cantando, performando, sendo atriz.  Ru estudou teatro na Escola de Artes Performáticas, em Atlanta, Geórgia e participava, quando mais jovem, de filmes de baixo orçamento.

Seu trabalho alcançou fama internacional com o lançamento do hit “Supermodel (You Better Work)” que você pode conferir aqui. Depois disso, RuPaul virou a queridinha da América. A Marilyn Monroe do mundodrag.

Ru alçoou voo; atuou em mais de 50 filmes e seriados de TV e até gravou uma versão da música “Don’t go breaking my heart” com o próprio Elton John (que você pode conferir aqui) – alcançando a 7ª posição nas paradas britânicas.

RuPaul em campanha da MAC
RuPaul em campanha da MAC (divulgação/MAC)

Ela também foi o primeiro rosto da linha Viva Glam da famosa MAC, marca de maquiagens canadense, por sete anos. O fato foi considerado revolucionário por haver uma associação de maquiagem apenas com o público feminino, nunca havendo espaço antes para drags ou diferentes gêneros correlacionados.

Conquistando todo esse espaço, RuPaul se tornou o maior símbolo drag dos Estados Unidos. A partir do seu sucesso, a World of Wonder (uma produtora americana que cria programas de televisão, documentários, filmes e conteúdo de vídeo para internet com um foco em temáticas como sexo, sexualidade e erotismo) abraçou a ideia de RuPaul e decidiram fazer o “RuPaul’s Drag Race”.

A primeira temporada foi exibida em 2009. As regras não mudaram de lá até então: a participante precisa ter, no mínimo, 21 anos de idade, não importando sua orientação sexual. Para ser drag queen (termo vindo de Dressed As A Girl – tradução livre para “vestido como mulher”) claro, precisa ter nascido como homem. Mas só nascido mesmo.

Para se inscrever o processo funciona como na maioria dos realitys: enviar um vídeo mostrando o porquê de merecer aquela vaga. A temporada conta com uma equipe de jurados diversa: personalidades da música, do cinema, da televisão, da moda. Já passaram pela mesa do júri o ator Neil Patrick Harris (o Barney Stinson de How I Met Your Mother), a designer de moda Kelly Osbourne (filha de Ozzy Osbourne), a cantora La Toya Jackson (irmã mais nova de Michael Jackson), dentre outros nomes do meio artístico.

Já é fato de que o que aparece na televisão – meio de transmissão de informação de massa – é mais facilmente aceito pela sociedade de maneira geral. Com o espaço para a aparição das drag queens, a aceitação dessa forma de arte ficou mais abrangente. Um universo tão estereotipado e cheio de tabus se transformou em algo que hoje beira já não beira o “fora do normal” na mente do público.  A verdade é que o universo drag – cheio de seus segredos e mistérios – jamais será considerado completamente convencional, não importando o conservadorismo ou a falta dele na sociedade.

Mas, é impossível não reconhecer a influência de RuPaul, que hoje tem 54 anos (!) no reconhecimento e valorização das artistas; inovando o modo de ver (e de se fazer) drag queen, elevando aos mais altos padrões do que poderia ser considerado o Louvre da beleza drag, em que cada representação feminina se torna uma Mona Lisa de Da Vinci e cada apresentação performática, uma ópera digna de Chopin.

Confira as mudanças da ‘Mama Ru’ (apelido dado pelas participantes do programa) ao longo das temporadas:

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RuPaul ao longo das temporadas (reprodução/vídeo RuPaul’s Drag Race)

” 54 anos, é? É.”

Por Maria Luiza Veiga

 

 

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