A promessa de um novo espaço

Desativada há mais de 20 anos, a Fábrica tacaruna está entregue ao abandono e à falta de compromisso de seus gestores

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Construída no fim do século XIX com a expectativa de se tornar a mais moderna usina açucareira do Brasil, a Fábrica Tacaruna, localizada nos limites entre Recife e Olinda. As casas de cupins e marimbondos, paredes pichadas e janelas aos pedaços escondem, numa triste realidade, um importante pedaço da história de Pernambuco.Desde que foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1994, o lugar onde já funcionou uma usina de açúcar e uma fábrica têxtil, vive de promessas, que nunca foram cumpridas. Após ser desapropriada pelo governo estadual, algumas obras de restauração foram iniciadas, como a troca do telhado em 2005, mas o trabalho não foi finalizado.O mais recente compromisso assumido pela Secretaria da Criança e Juventude do Estado, que atualmente faz a gestão do espaço, é transformar a área num grande centro cultural.

As reformas contemplariam a troca do piso, telhado e elevador, além da instalação de ar-condicionado. “Queremos entregar isso para a população de Pernambuco e do Brasil, para a Copa de 2014, para que a gente já possa ter um equipamento com um ponto de vista cultural. Será um grande enriquecimento para a Região Metropolitana do Recife”, afirma o secretário Pedro Eurico. O local também deve contar com um museu, biblioteca e centro de formação para jovens. Os custos para esses investimentos sairiam dos cofres estaduais ao valor total de R$20 milhões, mas já deveriam estar em execução desde setembro de 2012. Até agora nada foi feito.

A Usina Beltrão, primeiro empreendimento do espaço, construída em 1895, é considerada como um marco industrial do Nordeste. A refinaria de açúcar chamava atenção pelas tecnologias até então consideradas avançadas para a época. A fábrica fazia uso de energia elétrica nas instalações, tinha concreto armado na estrutura física, além de oferecer moradias aos seus funcionários. “O galpão de concreto armado foi um dos primeiros construídos com essa técnica em Pernambuco, é um dos mais antigos do Nordeste”, comenta o arquiteto e especialista em evolução urbana, José Luiz Mota.

Hoje o prédio mantém os mesmos traços arquitetônicos franceses de quando foi fundado, porém em péssimo estado de conservação. Na virada do sec. XIX pro XX a empresa foi fechada devido à crise do açúcar e deu lugar à Companhia Manufatora de Tecidos do Nordeste, passando a ser chamada como até hoje é conhecida: Fábrica Tacaruna. Após uma vertiginosa queda na produção, a indústria também foi fechada, em 1992, permanecendo assim até os dias atuais. O terreno da Fábrica Tacaruna possui 9.500 m² de extensão e conta com três pavimentos, incluindo uma chaminé de 20 metros e um espelho d’água.

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Linha do Tempo/Gráfico:

1895 – Inauguração da Usina Beltrão

1899 – A Usina Beltrão é fechada devido à crise do áçucar

1924 – A Companhia Manufatora de Tecidos do Nordeste compra o espaço e

passa a ser chamada de Fábrica Tacaruna

1992 – A Fábrica Tacaruna é fechada devido à uma queda na produção têxtil

1994 – O edifício é tombado pelo Governo de Pernambuco

2005 – Recuperação do telhado da Fábrica Tacaruna

2012 – Lançamento de um edital para transformar o espaço num Centro Cultural

Por Haim Ferreira e Fernando Lima

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